fevereiro 13, 2013
Mergulho
Lembro-me que foi um salto muito alto e sonoro. Senti o vento arrebentar meu rosto assustado, e cegar-me temporariamente para o que não estava de baixo dos meus pés. Meus lábios ficaram secos, meus olhos semicerrados e uma sensação de asco me subiu pela garganta.
O Sol brilhava zombeteiro enquanto eu caía para o nada, e, no meio de todo daquele calor, eu senti frio. Senti vontade de enrolar-me no mais quente de meus cobertores, e jamais abandonar a aconchegante segurança que aquilo me proporcionaria.
Depois tudo ficou azul. Num baque surdo eu mergulhei para as profundezas do infinito. Lembro-me de mais detalhes do que posso descrever, porém, é fácil recordar o arrepio que a água congelante causou em meu corpo. Uma frieza que ferveu meus temores, e os reduziu à liberdade. E jamais esquecerei do grito que explodiu em minha garganta quando inspirei o ar acima da superfície.
Eu era o único.
Eu fui o infinito.
janeiro 09, 2013
Seu amor
Toque aquela música para meus ouvidos, querido. Sinto saudades de dançar enquanto você desliza seus dedos longos pelo nosso piano de madeira velha, brincando com meus sentimentos, sorrindo ao perceber a minha confusão.
Tudo era brilhante, até seus olhos de fogo grego. Até quando você largava tudo e corria comigo, e gargalhava. Eu amo tanto os seus cabelos, cheio de cachos negros, cheios de você. Adoro beijar seus lábios vermelhos, e tocar sua baba rala por todo meu rosto.
O mais importante é fechar olhos, sentir você, e saber que não é uma ilusão ou um sonho. O mais importante é ter seu amor, sua luz e saber que minha vida é sua. Ter absoluta consciência de que somos um, e não ter medo.
"Wait forever for your love
Make believe that we're the only ones
Holding on whisper of your love
All we are is a dream beyond the dawn"
janeiro 03, 2013
Decisões mais que sistemáticas
Os dias não clareiam as minhas dúvidas, e minhas perguntas tornam-se cada vez mais repletas de confusão quando você insiste em ignorar meus apelos pela verdade. Eu imploro por repostas, mas você continua mudo, sugando-me com seus olhos de gato. Você espera por um ataque, prepara-se para uma defesa desnecessária.
Eu não tenho medo. Não desta vez. Serei eu, e somente eu. Não há nós. Não estamos juntos nesta guerra, porém não quero ser sua inimiga. Desejo a paz entre nossos corações inquietos. Mas eu falo, argumento e escuto. Onde estão seus recortes de sinceridade?
Minha cicatrizes são velhas e não há luta que possa reabri-las. Eu não tenho medo. Eu sou leal a minhas ideias e não corro do futuro. Eu anseio o perfume da liberdade. Eu compreendo que não há força terrestre que fará mudanças em seus pensamentos, mas sou eu quem controla meus atos e não você. Acabou o jogo de comando. Acabaram-se os tempos de submissão.
Um dia pedi que me ensinasse a ser paciente, e você negou meu pedido. Pois, muito bem, eu não preciso mais de paciência.
Serei eu, e somente eu.
"I thought that I heard you laughing
I thought that I heard you sing
I think I thought I saw you try"
dezembro 22, 2012
Fiel anatomia
Sintonizar
as redes do sistema, uma por uma. Não deixar rastros de falcatruas
acumuladas nas paredes internas. Apagar
o amor e suas demais demonstrações de afeto. Baixar crueldade, ambição,
luxúria, ira, avareza, egoísmo. Conectá-los as ondas suplementares do coração
de lata e deixar que um líder os conduza à destruição.
Perfeito.
Eu criei uma cópia do ser humano.
novembro 29, 2012
Mentirosa
Ela nem se preocupa em limpar o próprio veneno, que escorre
doce pelos lábios flamejantes. Intoxicante. Desejável acima de qualquer outro.
Como eu quero ouvir suas mentiras, acreditar em cada uma delas e sentir o
êxtase de ser enganada. Como quero sofrer o choque da verdade, da realidade, e
sentir o amargo mel correr pelas minhas veias e paralisar as minhas ideias.
Tão mentirosa. Tão venenosa. Tão deliciosa.
Sugue a minha inocência e faça de mim uma cobra leitosa,
assim como você.
novembro 20, 2012
Devagarzinho se vai longe
O
tempo nos passa rápido demais. Não porque o tempo em si esta com pressa, mas
porque nós cogitamos uma ansiedade sob qualquer circunstância de paz de que o
tempo que Deus nos deu para nossos dias é excepcionalmente curto.
Esta
manhã levei meus filhos ao zoológico da cidade. Um local agradável para ensinar
as crianças que o convívio com os animais é de extrema importância social. Tudo
ocorria muito bem, porém, por mais que eu tentasse evitar acreditar, notei a
impaciência de meus filhos. De inicio acreditei que fosse a ansiedade em
percorrer todo o parque e ver todos os animais possíveis, mas percebi que
estava enganado.
As
crianças tinham pressa, porque estão acostumadas com a rotina descompassada dos
pais. Inutilmente me ocorreu que a culpa de meus filhos serem impacientes para
com o tempo era minha. Em muitos momentos de nossas vidas deixamos de nos
preocupar com o pormenor, e nos propiciamos a ser práticos e improdutivos. Não
apreciamos ou se quer aproveitamos nosso tempo de maneira aceitável.
Foi
no meio desse turbilhão de choques emocionais que fiz uma analogia de minha
vida com a de uma tartaruga. Estabeleci em minhas ideias que vivemos em uma
correria desgovernada que nunca nos trazem boas e sólidas concretizações.
Obviamente muitos acreditam que no "não se sabe o dia de amanhã",
porém isto é um paradoxo que não tenho tempo para analisar, pois não vivo na
desenfreada de aproveitar os momentos. Apenas vivo.
As tartarugas tem uma
paciência nata. Elas não correm, e não sofrem a pressão do trabalho árduo.
Intuitivamente e sabiamente elas se locomovem no romantismo da lentidão,
analisando (ou não) cada gotícula de água ao seu redor.
Minha
afinidade com as tartarugas é devido a sua peculiar longa vida. Existem
espécimes que podem viver por mais de 100 anos. E basta olhar para uma que um
sentimento de serenidade, paz, ou até mesmo nostalgia nos invade e corrompe
qualquer pensamento sobre algo que nos esquecemos de fazer ou comprar. Levar em
consideração que tais bichinhos duram tanto tempo, vagueando por oceanos sem
nunca se apressar, é ainda mais cruel para os deficientes de tal privilégio
divino. O que nunca percebemos é que o stress de nossa correria tem se tornado
uma rotina, e classificado "normal".
As
tartarugas nunca foram vistas correndo, literalmente, e sua longevidade é mais
um motivo de comparação teórica. Eu acredito que estamos absurdamente enganados
e que deveríamos filtrar da genialidade de nossas crianças a grosseira ideia de
que o tempo é curto. Quem sabe desta forma não apreciaríamos uma vida de quase
200 anos de experiência? Poderíamos simplesmente aproveitar o ritmo desses
animais tão exóticos.
Então,
ainda esta com pressa?
(Crônica escrita para aulas de Redação).
novembro 02, 2012
157
Até que ponto reviver
o passado nos faz bem? Até onde podemos enganar-nos com mentiras
descaradas sobre nossa própria felicidade? Quais os aspectos
positivos? E os negativos?
É reconhecível que
tudo não passa de omissões para evitar dores maiores. O passado foi
bom, porque você foi outro. Os dias estão cada vez mais remotos, e
estamos nos acomodando com o habitual. Afinal de contas, por que
mudar se esta aceitável assim? É óbvio que reclamar os dias de
glória é muito mais fácil do que lutar para conquistar os novos.
A verdade é que estou
cansada. Tenho vontade de chorar e dizer a todos que penso muito mais
além do que eles podem ver em mim. A tristeza consome minha áurea
passível e mais que de repente eu me torno amarga, silenciosa, e
suja. Sinto as mentiras perfurarem minhas entranhas como ferro
retorcido, e a dor que invade meu corpo é muito menor do que a que
contamina minha alma.
Até que ponto eu
estarei sóbria para reconhecer meus erros? Até onde eu poderei
fingir que não enxergo o óbvio? Quais as vantagens de viver nas
sombras daquele que enfrenta?
Quando vou ser
liberta? Diga-me, pois é o que mais quero saber.
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