julho 19, 2012

Controvérsia


Facilidade recorre ao simples. Inconveniência ao inesperado. Chatice ao desagrado. Juventude a inexperiência.
Jovens, desprovidos de sabedoria ou de malicia. São aqueles que quando não usados pelo Mundo e suas virtudes, são pequenas crianças com enormes olhos curiosos, prontas para aprender e reaprender aquilo que ainda não entrou em suas cabeças geniais.
Jovens são tão previsíveis e cômicos.  Tão facilmente manipuláveis, com toda a sua astucia e soberania inexistente. E quando postos a mudança, entram em choque. Uma surpresa que não admitem receber sozinhos.  Tão pequenos e desprotegidos... Perdidos no coração da pátria renascida do tártaro.

julho 08, 2012

Breathe


Quero teu castanho no meu. As notas do teu violão no meu som, seu sorriso em par com o meu.
Não posso respirar sem pensar nas combinações esclusas e inconsequentes para nós dois.
Enrola teus ralos cabelos loiros em minhas madeixas de chocolate amargo. Gruda teus lábios  rosas nos meus; entrelaça nossos dedos e me puxe para perto.
Me convide para dançar e enrosque nossos pescoços. Deixe-me sentir teu perfume, ouvir sua voz doce que entoa palavras molengas; palavras que arrancam risos de mim.
Diga que me quer.
Diga que estava me esperando.
Diga que não pode respirar sem mim

"I see your face in my mind as I drive away" (Taylor Swift)

Joana Francesa


Acorda, morena. Chegou sua vez.
Dei-te rubis e diamantes, e você comprou o amor de outro enquanto ainda me tinha em mãos.
Esqueci de mencionar teus lábios, teus risos frouxos e sua timidez em nosso contrato. Não quero desfazer-me deles. Não me julgue por buscar-te novamente, moça! Estou enamorado por teus cabelos descabelados, teu jeito cheiroso, tua voz mansa e teus olhares serenos perdidos em nossos lençóis amarelados.
Não lembre das equações; das notas compostas ou dos outros que conquistaste. Pense apenas em queimar as lembranças deste bordel de sonhos frustrados.
Mostre-me teus lábios novamente.

junho 27, 2012

Essa Pequena


Tropeço nos cantos da rua de pedra, e ela parece voar nas sapatilhas, esbarrando de leve os dedos contra os meus. Seus sorrisos vêm em cachos de artistas, soando música para meus ouvidos. Mexe os lábios freneticamente, e mal percebe que já me esqueci de manter a atenção, imaginando nós dois, ou apenas o “ois”.
Difícil seria prendê-la em uma de suas pinturas genuínas. Falta brilho e falta calmaria nos seus enormes olhos de castanha.  E esse excesso de carinho me mima, me apaixona.  Nossa novela é única no vai e vem dos passos desequilibrados na rua de pedra, no sabor de nossas histórias mal resolvidas. Na realidade de nossas músicas.
E nós acabamos no maracujá. No laranja cinzento de nossas misturas, no roçar das cordas de um violão. Ao fundo posso namorar um piano, admirar os lábios que ainda se movem rápido demais.  Ela se esquece do “ela” e só pensa no “eles”. Difícil não levar um susto quando ela para, recupera o fôlego e alarga o sorriso. Tem muita diferença nessa pequena.
Novela de artista nunca é monótona, e o cabelo dela é cor de abóbora. Isso tá mais pra sonho, amigo.  Só gostaria de saber em que Mundo eu vivo.

junho 26, 2012

Sentimental


Ontem contei as estrelas que pude vislumbrar no céu azul. No resplandecer de seus diamantes, lembrei-me das vezes que namorei, e sonhei cair num mar de escuridão noturna, vivendo um romance único entre mim e a Lua.
Nosso namoro acabava com o Sol nascendo, sequestrando minha Lua e seus diamantes sorridentes. Os dias se arrastavam, e quando por fim a noite surgia, lá estava ela a me enamorar. “Oh, Lua querida, casa-te comigo?” foi o que pedi a meu anjo lunar, e ela jamais se pôs a pensar em nós, em vós ou em “moi”.
Hoje contei às estrelas que o filme já não mais me encantava. A depressão de minhas lágrimas congeladas já não era mais expressa em minha voz ou em meu olhar. Minha amada fugiu de minha casa. Ofereci-lhe a vida, e ela me concedeu a chuva destemida.  O nublado do céu, a culpa dos réus, a injúria que rasga meu véu.
Amanhã contarei as estrelas, e elas me ensinaram que não posso amar um alguém que nunca esta presente, que não é inconsequente, que não vive o de repente.  Elas serão minhas irmãs, e farão do meu coração sentimental, um latrocínio descomunal. 

Ladrão

Não solte minha mão até que eu esteja firme. Eu mudei o peso dos meus pés e posso desequilibrar. Eu não me sinto a vontade com você, mas sei que inconscientemente estamos juntos, ferindo um ao outro.
Ao mesmo momento que quero te deixar, sinto algo fechar a boca de meu estômago. Deixe-me paz, ladrão de luzes, porque já não te quero como ontem, como amanhã. Seu enlace é fraco e suas ferramentas são pequenas. Eu sinto pena da sua dependência de vender sonhos, e de destruí-los.
Eu sei que você não é capaz de roubar meus sorrisos, ladrão de luzes, mas espero que você brilhe incansavelmente, até perceber que não precisa brilhar, e sim, sorrir.

junho 20, 2012

Voltagem Número 4


Um tremor retumba na terra, e faz o chão se dissipar aos meus pés descalços. Trovões causam problemas similares sobre meus sonhos. Aquele som grave penetra em meus ouvidos, arrepia minha pele e me desgasta, deixa-me desnorteada e precavida de medos e sustos. Apavorada.
Mas alguns segundos antes, uma brancamente azulada ilumina o céu escuro. É tão magnífica que não posso ousar não admira-la. Ela brilha com tão majestosa, tão poderosa que nem ao menos nos causa inferioridade. A admissão do poder é um defeito fatal para os humanos, que caem na tentação de dominar, de possuir, de brilhar como os raios na escuridão da noite.
E sozinha depois da tempestade, é que sinto a paz fluir sobre meus nervos antes ouriçados. Quando o medo voltar a retumbar em meus ouvidos, lembrar-me-ei de procurar pela luz perdida no paraíso.