outubro 09, 2012
Adorável clichê
Quem nunca sonhou? Sonhos são relativamente pequenos e anormalmente grandiosos demais para os nossos pequenos corações. E eles sempre mudam. Adaptam-se a nossas recentes escolhas, nossos novos caminhos e objetivos.
O importante de viver hoje, é saber que adoráveis clichês existem, e que sonhos podem fazer parte da nossa realidade. Basta você sofrer o suficiente para realizá-lo, ou como dizem por ai, "acreditar". No fim das contas, tudo valerá a pena.
Evanescence em São Paulo, dia 07 de outubro de 2012.
setembro 28, 2012
Homem Transcendente
Mantenha a curta distância entre
nossos corpos. Seja sagaz e possua o que te pertence. Tome para si o mar de
meus olhos e construa sobre nós a semelhança do carinho. Supere as minhas
expectativas; detone com minhas dúvidas e implante sua fortaleza em mim.
Beije-me
de forma sobrenatural. Resolva os problemas; acarrete todas as consequências e
jogue-as para os próximos. Não preciso de perfeição, não preciso riqueza. Dê-me
lealdade, e não amor. Dê-me companheirismo, e não pudor. Salve, salve a indiferença! Deixe-me louca,
deixe-me perdida.
Jogue
seus cabelos para trás, e foque seu céu sobre mim. Não deixe de saciar-se.
Sugue todas as forças que posso ter. Deixe-me fraca, ao deleite, e depois me
renove. Faça do nosso sentimento seu brinquedo. Encha-se de loucura e de
torpor. Vá embora, mas volte o mais rápido que puder. Ou leve-me com você para outra
dimensão.
Beije-me,
homem de mármore, e devore todas as minhas expectativas e sacie todos os meus desejos.
Diga-me se você é um anjo ou um demônio antes de raptar minha sanidade...
Conte-me o porquê de um olhar tão opaco, e, depois me presenteie com seu toque eletrizante.
Dê-me um beijo hipnotizante mais uma vez, e magnetize nossos corpos.
setembro 11, 2012
"Hana"
Flores podem ser comparadas a
almas.
Cada qual exala seu perfume, sua
essência única, e, de certo modo, predadora. Suas divergências entre as cores
causam uma atração fatal. Um desejo de preservar sua beleza invade nossos mais
profundos sonhos, mergulhando serenamente em sua intensa vaidade.
A partir deste ponto, apaixonamo-nos.
E quando um coração sela a
promessa de entregar sua vida a esse amor, há como fugir? É desgastante dizer
que sim, pois nunca realmente aceitamos nosso destino perverso.
Amar, amar. O problema é sempre o
amor. Flores são como almas. Envolventes e diferentes a cada tolo que as escolhe.
Não importa a dificuldade de protegê-la. Não importa quanto tempo leve até que
ela aceite suas condições atuais e cresça, sempre esperamos por elas. Sempre
nos submetemos a elas.
Afinal, todos os esforços são
recompensados quando elas florescem. Nascem do mínimo, e alcançam o máximo. Flores
são como almas. Indulgentes, fortes e sempre subestimadas por outrem. Nunca
realmente levadas a sério, nunca realmente sozinhas. Elas prevalecem em seus campos
cheios de irmãs perdidas. Todas parecidas, nunca iguais.
O sol que mareja nossos olhos é a
fonte de sobrevivência de todas elas. É a liberdade, a salvação. Porém, em
exageros, resseca. Resseca suas pétalas tão bem trabalhadas em cores e
formatos. Suas folhas amarelam e ela perde a vida, os sonhos e as conquistas.
Flores são como almas. Únicas e
diferentes, e nunca realmente solitárias.
setembro 01, 2012
Os pêsames de um prisioneiro
A vida faz de mim um morto. Como,
bebo, durmo. Como todos os outros seres normais. Porém, a comida já não me
apetece. A bebida não me satisfaz, e, eu já não sinto mais o sono pesar nas pálpebras.
Sou morto. Prisioneiro da própria
demência. Vago por labirintos de pensamentos impuros de jovens donzelas
desnudas das quais jamais vi ou compreendi o porque de balançarem o corpo freneticamente,
numa dança descompassada de prazer doentio.
Estou morto. Prisioneiro do
sentimentalismo oculto. Arrastado pelos cantos, murmurando o nome daquele que
não recordo a face. Face... Murmuro vinganças sanguinárias. Planejo torturas
enegrecidas pelo gozo das imagens que projetam em minha mente. Subestimo a
minha covardia.
Desejo a morte. Prisioneiro dos
dias que não passam. Da loucura que abate um velho desmazelado, que gira em
torno de si próprio. Estou brincando de rodar... Até cair.
agosto 21, 2012
Sobre Sensualismo II
"Sol" foi a primeira nota da nossa música.
Uma colcheia que transbordava a emoção de seus sentimentos, de minha ilusão. Eu deitava na beirada de seu futon, e você ria de mim. Puxava-me para perto, e eu me emaranhava nos seus cabelos castanhos, enquanto você se embriagava no meu perfume, que dizia que te lembrava pasta de dente.
Eramos dois. Ois. Sempre gostei da nossa prununcia. Estavamos colados um ao outro, uma dependência indepente, um amor tão incoerente que resplandecia em nosso peito e fazia nossos olhos brilharem, como o Sol. Sol.
Eu sempre sorri com os olhos, e você sempre todo sério, nunca partiu meu coração. Nunca quebrou minha confiança, nunca deixou de lado minha existência. Juntos nós eramos o Sol um do outro. A nota que transbordava a emoção. E o melhor em nós era o desapego, a falta de medo, a relutância ao sofrimento. Nós "ois" eramos felizes e não desperdiçavamos a coragem infantil da nossa simples sensualidade. A inocência de nossos passos no gramado esmeralda. A todo instante você me protegia dos olhares fugazes sobre nós, e no momento que cedia ao cansaço e fechava os olhos, eu podia contornar seus traços de mármore com minhas mãos, e ter certeza de que você não era parte de uma insanidade minha. Eu podia confirmar que você era um sonho meu, mas tão real quanto os dias chuvosos que se estendem pelo verão perigoso de Janeiro.
Minhas mãos contornavam suas finas sobrancelhas arquedas, seus olhos enrrugados ao simples toque. Seu nariz pontiagudo, pintado de pequenas sardas achocolatadas, que me lembravam pontos perdidos no céu azul. E por fim eu brincava com sua boca, de lábios finos e gentilmente rosados. Eu lhe roubava um beijo. Um choque de proximidade repentina de corpos. Uma eletricidade que fervilhava pelo meu corpo, e paralisava o seu. Os âmbares saiam da toca e você me presenteava com seu olhar mais gélido e acolhedor. Sempre tão sério, sempre tão sensual.
Estavamos perdidos novamente, mergulhando no mais profundo dos sonhos.
E sobre o nosso sensualismo de passos verdejantes, eu conclui que fiquei louca.
agosto 12, 2012
Sobre Sensualismo
Eu gosto de observar
suas costas. Nada de inconveniente para você, já que nem ao menos
imagina minha existência. Vejo você prender seus cabelos castanhos
num rabo-de-cavalo desajeitado mas simétrico. Diferente dos outros,
você matem as madeixas compridas, elevando ainda mais a sua beleza.
Eu te apelidei de “cara” e você nem sabe da minha existência.
Um dia eu troquei
olhares com você na rua. Um beco bem iluminado pelo Sol do meio-dia.
Seus olhos melodiosos me atingiram como o flash de uma câmera.
Foi um encontro lento, uma confissão de soberania. Eu abaixei os
olhos, envergonhada por ter sido pega no flagra, tentando roubar um
pouco de você pra mim. E agora você sabe da minha existência.
Um dia depois, nos
vimos de novo. Eu com amigos e você solitário, com as mãos nos
bolsos do jeans, a mochila pesada nas costas. Estava dando
passos largos em direção oposta a minha, porém, mais que do nada,
você me fitou. Os castanhos sucumbiram o mel, e foi preciso coragem
para não me desviar de seu olhar severo. Poucos segundos passaram
até você me presentear com um pequeno sorriso branco. De canto.
Sedutor. Sensual. Você tem interesse pela minha existência. Mais
que depressa eu te devolvi meu melhor sorriso meigo. E assim nós
ficamos, como bobos, sustentando uma relação de olhares e sorrisos
que nada podiam significar, porque nem nos conhecíamos! E foi ai que
acabei com o nosso “curto” relacionamento, desviando de seu rosto
e pondo um ponto final nesta fantasia infantil.
Até o dia que você
me deu outro sorriso sensual, e perguntou meu nome.
agosto 08, 2012
Anulado
Quando
o Inverno chega minha alma esfria. Meus lábios secam e o céu não parece ser tão
azul. O mar congela e os sentimentos mais profundos me aquecem, feito fogo. Como
pode haver tanta intensidade em dias tão sombrios? Talvez a estaticidade de
nossos corpos seja motivo para que o amor se manifeste.
Há
perfume de lavanda impregnado em sua camisa xadrez colorida. E seu sorriso faz
meu coração palpitar freneticamente. Deixa o Sol tocar seu rosto, menino bobo.
Não leve em conta a cor de meus olhos, porque ela muda diariamente, no
constante do infinito. Não acorde agora, e me deixe beijar seus lábios secos em
seus sonhos.
No
Verão eu vou te tocar. Vou bagunçar seu cabelo loiro e beijar sua bochecha
rosada. Do dourado da sua pele farei meu lençol fresco, e apagarei todas as
promessas e mentiras com o castanho de seus olhos. Eu quero te levar para o mar
frio e afogar nossos receios e medos. Eu quero te beijar, menino bobo, e dizer
que você me faz suspirar.
Descongele
a minha alma e ferva meu coração. Sorria para mim novamente e concerte meus
sonhos quebrados pela ilusão. Diga que tudo é verdade e que nossos olhares
continuaram a se encontrar.
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