julho 09, 2011

Cárcere de alma

Eu estou presa de amor. Fui enlaçada numa armadilha de beijos e carinhos que me levou a perdição. Me entreguei.
Por isso recebi minha sentença de morte. Fui condenada a guilhotina por amar. Sabia que aquilo que se sente é realmente muito pior do que aquilo que se vê? Não vale a pena acreditar em ditados populares.
Estou sofrendo, o meu amor desapareceu.
E mesmo que eu grite, esperneie por ele... Ele não volta. Enlaçou-me em suas armadilhas, e se foi. Deixou-me só, mais uma vez.
Dor de amor é pior das dores. Não basta ser consolado, não existe um curativo. Só dói, dói bastante. Dor que lateja sem parar. E você pensa, pensa no quanto foi tolo em se apaixonar.
Mas valeu a pena, não valeu? Porque querendo ou não, foram os melhores dias de sua vida, e o que você mais deseja é que ele volte.
E a gente sofre mais uma vez, porque alimentamos esperanças o tempo todo de que ele vai voltar. Voltar com seus sorrisos amáveis, seus olhos compreensíveis. Que nunca mais vai te fazer chorar novamente, e vai dizer para todos e principalmente para você o quanto ele te ama.
E você só percebe o quanto esta errada quando enfiam um saco em sua cabeça, estranha ação de piedade enquanto esta a beira de sua morte.
E enquanto as lágrimas frias descem, os soluços não cedem um pouco o de paz. Seu príncipe aparece, assim do nada. Degola todos aqueles que tentaram fazer mal a sua amada, sem nenhuma compaixão! E de sensível ele passa a obsessivo, assassino. E quando enfia a espada no último dos homens maldosos, ele resgata seu grande amor, e a leva para longe dali.
Apavorada, ela já imagina quem pode ser seu salvador. E pensa nas inúmeras noites que quis arrancá-lo de seu pequenino coração com suas mãozinhas. E quando finalmente seus olhos se encontram, seus lábios se tocam e ele pede perdão ao pé de seu ouvido. Você cede novamente, apaixonada novamente.
Mais uma vez você é presa, por um par de ônix causadoras de imensas rebeliões em sua mente e em seu coração.
Mais uma vez você se entrega. Mais uma vez você sofre de amor.
Pode parecer um conto de fadas, mas não passa de ser a mais pura das verdades.

maio 31, 2011

Fracionário

Tudo faz parte de um espaço único. Ele eleva a alma numa equação de momentos insubistítuiveis. Às vezes, o resultado é exato, às vezes é só um decimal com inúmeras dúvidas e centenas de consequências arrasadoras.
É quando vem a subtração e arranca de você tudo o que uma dia foi importante. Depois multiplicam sua dor e decidem que você será para sempre uma letra perdida; uma incógnita num mundo cheio de dedos positivos e risos amarelos.
O que posso fazer diante desta magoa que me consome e engole minhas esperanças já extintas? O que faço para que a felicidade volte a porta de entrada de minha alma? Onde esta o Senhor do tempo, em busca de me ajudar?
Então eu acabo me recordando da adição, e me lembro de somar todas as coisas boas, os momentos de felicidade ao controle do Senhor do tempo e, instantaneamente, vejo que meu pesadelo não passa de uma reflexão bem xula, uma vontade de não perder mais os minutos chorando e passar a viver novamente, ou viver de verdade. Ou apenas andar com minhas próprias pernas e, dividir as dores na chave da compreenção, e finalmente assim perceber que a fração não é tão ruim.

maio 06, 2011

Obliviate

A sociedade diz que o ódio é um sentimento que causa repulsa, e não deve ser formado dentro de nossas almas. Eu sinto ódio. Sinto meu sangue ferver por debaixo de minha pele; sinto vontade de gritar, chorar, até mesmo matar. Nem mesmo o mais puro dos sentimentos pode vencer a dor que o ódio nos causa. Uma reação tão profunda, que nem ao menos me atrevo a pensar nas consequências.
Então depois do ódio, vem as tão desesperadoras lágrimas, a calmaria que se espalha por cada centímetro do seu corpo. Dominando cada olhar, entrelaçando cada fio de cabelo, formando sua barreira forte e branca por cima dos destroços causados pela negritude da dor.
Assim vem, no mais quieto dos passos, a tristeza. Tão silenciosa e esperta, tomando seu coração numa fração de segundo, trazendo todas as lembranças mais terríveis. Aquelas que você se esforça ao máximo para esquecer, para destruir. Sorrateira, ela te marca com sua fala baixa, seus olhos lacrimejados, sua boca tremida. Ela leva de você toda a sua felicidade, sugando sua razão de viver como se nada mais lhe fosse útil. Leva consigo a sua paz, seus sorrisos, sua alma. Ela te entrega um presente azul, com a marca da lágrima mais salgada que alguém já derramou. E quando você abre seu presente vazio, percebe o que ele realmente simboliza... Solidão.

abril 25, 2011

Cigarettes and Chocolate Milk

Vicio é um pequeno adjetivo para a necessidade excessiva. Um tipo de necessidade extrema, de que a falta daquilo em que se esta viciado cause sua morte. Vicios sem fim... Eles causam dores tão poderosas no mais íntimo de nossas almas. O que cabe a um ser tão inteligente quanto o humano, se tornar tão frágil e submisso a ponto de viver por uma necessidade excessiva? Diga-me! Não há respostas, nem ao menos eu posso responder, porque sofro de um. Talvez o pior deles estaja comigo... Viciar em um amor sem motivos, um amor tão inocente, ingênuo. Seria eu submissa ao amor?

Não, ao amor não. A aquele que roubou-lhe o coração? Ah, a esse sim.

Mas o amor não é dele? O que há de diferente? Apenas sei que preciso tanto dele... Do amor, é claro. Preciso inalar seu perfume tão cortante, preciso ser enconberta por seus abraços tão quentes, preciso sentir o doce gosto de seus lábios... E talvez eu também precise sentir o vento acariciar meu rosto enquanto me observa.
Talvez eu realmente precise ver sua pele morena brilhar contra o Sol. Talvez eu necessite ouvir sua grossa voz agradar meus ouvidos com suas tão inocentes palavras de amor, juras inacabáveis e cheias de uma sinceridade extrema, amável demais para ser sincera talvez.

Quantos talvez não? Que tal começar pelas certezas?

Não existe certeza no amor, apenas aquilo que podemos chamar de presente. Eu aprecio tanto este amor, que gostaria de vivê-lo pelo resto de minha vida. Estar apaixonada é o último ato de uma cena que desejamos que nunca tenha um fim, por mais que saibamos que um dia o teatro a caba. Mas pra quê encenar, quando se pode viver?


PS: Para alguém que não merece ler, porque esse alguém não precisa perder seu tempo com um sermão.

abril 15, 2011

A última vez que gasto minhas palavras com você

É quando o piano canta que sinto o silêncio dançar em minha alma. Ele dança da forma mais aplausivel possível, trazendo meus sorrisos de volta a boca, trazendo minhas lágrimas de volta aos olhos, trazendo a música aos meus ouvidos. Eu me comporto diferente, é como se fosse apenas eu, ou aquela que realmente ignoro em meus dias habituais. Mas o que não posso entender é por que teimo tanto em esquecer desse eu quando já não estou mais só? Por que esta que me faz tão bem é esquecida em meus sonhos? Ou em minha alma... Desconfio muito que meu coração não gosta de mim, e que seu maior prazer é sentir meu sofrimento, minha dor sem limites. O que há de mau em mim? Escrevo versos sem sentido, sendo que nem sei recitar... Fico cantarolando letras gentis que depois fogem da minha memória, doces letras escritas para minha alma. Esta é a última vez que gasto minhas palavras com você, Coração.

março 04, 2011

Parabéns para mim

Queria dar os parabéns a mim. Desejos de felicidade e sucesso já não me sastifazem como antes. Presentes, pedidos e abraços falsos não em contentam como antigamente. De que me serve a hipocresia de um "tudo de bom"? Estou enfadada daqueles tios que notam sua presença apenas neste dia célebre, ou nem notam. Não me interessam presentes caros, ou grandes feitos de provas de amor. Não me agradam pessoas exibidas e estéricas tentando fazer-me bem. Na verdade, tudo o que desejo na minha data, que com certeza é a data de milhares de jovens no mundo todo, é o melhor e mais sincero desejo de uma boa trajetória. Eu não quero ter muitos anos de vida, apenas o suficiente para guardar muitas lembranças. Não me apetecem bolos caros e grandiosos, ficaria muito contente se ganhasse uma tortinha de morango! Eu não ligo para viagens, e não tenho vontade de conhecer a Disney. Festas? Somente aquelas onde conheço todas as pessoas presentes, e que seja cheia de bexigas coloridas! Neste dia, gostaria mesmo é de visitar um belo museo em São Paulo, até mesmo a Galeria do Rock. Num dia como esse, posso ouvir e ver milhares de "eu te amo", mas só valem aqueles das pessoas que eu também amo! Eu queria mesmo poder ver sempre as pessoas que eu gosto, não apenas neste dia. Mas, esta carta não é um desabafo sobre aniversários, isso é uma curta critíca a mim. Oras bolas, para que mereço tanto? Tantos amigos queridos, tantos familiares amados... Será que tenho mesmo tanta importância para eles? Minha mãe sempre me disse que depois dos 15, o tempo passa tão rápido que logo você está com 30. Não imagino que seja nessa violência de tempo, mas concordo com ela. Temos tantas coisas ainda para fazer, que ainda não percebi que já estou fazendo 15 anos. Uau! Essa é a idade mais aclamada por qualquer garota! A idade em que os homens, os adultos, as crianças te olham de uma nova forma. Uma travessia de menina, para mulher... Grande coisa. O máximo que vejo neste tão esperado "trajeto" é o mundo caindo em suas costas. Não podemos estudar muito, porque se não estamos loucas. Não podemos namorar, porque somos muito jovens e imaturas. Não podemos escolher nossos amigos, porque eles podem ser má influência! Já me cansei desse aniversário idiota! Que droga de desejo eu tenho para mim? Que alegria mantenho em meu coração para ver algo de bom em ficar mais velha? Perguntas retóricas não devem ser compreendidas por seus ouvintes. Estou farta de fingir ser uma garota normal, ou diferente. O fato é que cansei! Cansei de ser essa menina de agora! Mas de que me adianta mudar? Quais vão ser as vantagens ganhas? Me dê um único e simples motivo. Acho que a culpa é toda minha mesmo. Eu que preciso crescer e parar de pensar nos fatores indisponíveis para explicação. Mas, o que posso desejar a mim? São tantas as minhas perguntas que você já está a fim de parar de ler! Eu queria ter força o suficiente para aguentar meus próprios erros e sobreviver aos pensamentos e atos que me julgam e condenam. Gostaria de ter a coragem de fazer rebeldias e rebeliões, sejam elas por uma causa maior! Queria não temer o próprio medo, pois ele existe. Desejaria a mim mesma um pouco mais de compaixão, um esforço em conseguir sabedoria e conhecimento. Mas acima de qualquer represaria, desejaria a mim mesma um verdadeiro "seja feliz", que incluisse todas as alternativas anteriores! Que não tivesse um delete nunca, e que durasse por uma vida toda! Mas nunca com cópias clandestinas das passadas, e sim com a real vontade de sempre fazer momentos inéditos e cheios de novas alegrias, para que sejam guardados como ótimas lembranças. E daqui dez anos quero poder abrir estar carta, e rir muito das besteiras e revoltas que escrevi aqui, e ver como perdi meu tempo. E sentir falta, e dizer a seguinte frase, com as seguintes letrinhas: "Caramba, eu era feliz e não sabia!" E é isso que quero fazer nesta data, ser muito feliz. Feliz Aniversário para mim.


20-11-2010
Hary assentiu e suspirou. Deixar esse lugar não seria tão difícil quanto fora entrar na Floresta, mas ali era quente, claro e tranquilo, e ele sabia que estaria voltando à dor e ao temor de outras perdas. Ele se ergueu, Dumbledore o acompanhou, e os dois se fitaram demoradamente.
- Me diga uma última coisa - disse Harry. - Isso é real? Ou esteve acontecendo apenas em minha mente?
Dumbledore lhe deu um grande sorriso, e sua voz pareceu alta e forte aos ouvidos de Harry, embora a névoa clara estivesse baixando e ocultando seu vulto.
- Claro que está acontecendo em sua mente, Harry, mas por que isto significaria que não é real?"

(Harry Potter e as Relíquias da Morte, Joanne Kathleen Rowling.)